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Terapia da Fala

Linguagem e Fala será a mesma coisa? Quais os Sinais de Alerta?


Na criança, um processo de aquisição e de desenvolvimento da linguagem/fala harmonioso, dentro de padrões de normalidade conhecidos é fundamental. As alterações da linguagem podem ter um impacto negativo nas crianças como por exemplo problemas sociais, psicossociais, comportamentais, de aprendizagem (e.g. da leitura e escrita) e de saúde mental.

Assim, a identificação precoce das perturbações da linguagem e/ou fala é crucial para reduzir ou eliminar o impacto negativo causado pelas mesmas.

É imprescindível um bom desenvolvimento da linguagem e da fala nas crianças para que possam adquirir novos conhecimentos. Ademais, a linguagem oral e a fala são as bases fundamentais e os melhores meios para a transmissão das aprendizagens escolares. Têm neste sentido um papel fulcral para aprendizagem da leitura, escrita e cálculo que são a base de todo o processo académico. Quanto melhor forem as competências linguísticas das crianças, melhor será o seu desempenho académico. Contudo, nem sempre, todas as crianças obtêm um desenvolvimento harmonioso da linguagem e da fala. Durante o processo de desenvolvimento podem apresentar dificuldades na linguagem oral a nível da expressão e/ou compreensão de linguagem e/ ou da fala.

 

O que é a Linguagem e a Fala, são conceitos iguais ou distintos?

Questões

A linguagem é considerada o meio mais privilegiado e utilizado apenas pelo ser humano, para expressar oralmente ou de forma escrita as suas ideias, pensamentos e experiências com as pessoas que os rodeiam (Lima, 2009). De acordo com a American Speech-Language-Hearing Association (A.S.H.A) “A linguagem é um sistema complexo e dinâmico de símbolos convencionados, usado em modalidades diversas para o homem comunicar e pensar” (1982: p3), podendo ser dividida em três grandes componentes: forma, conteúdo e uso. A forma inclui a sintaxe, morfologia e fonologia, que são as componentes que se conectam entre os sons e os símbolos. O conteúdo abrange o significado ou a semântica, e o uso é designado por pragmática (Owens, 2009).

A fala, esta é definida como o meio verbal da comunicação (Owens, 2009). Resulta do planeamento e execução de sequências motoras específicas, requer coordenação neuromuscular muito precisa e envolve ainda a expressão de outros componentes, tais como a qualidade vocal, entoação e ritmo. A fala é concretizada na produção de elementos sonoros de uma língua, estruturados de forma a terem sentido, através do sistema fonoarticulatório (Lima, 2009). Para a produção correta da fala, é necessário um desenvolvimento cognitivo e fonológico adequados, bem como que todas as estruturas envolvidas na produção da fala (lábios, língua, bochechas, palato mole, dentes, mandíbula, faringe, laringe, músculos da respiração e sistema neurológico) estejam totalmente intactas (Marchesan, 2009).

Fatores de Risco Perturbações da Linguagem e/ou Fala

 

Atualmente não é possível determinar quais os fatores determinantes para o desenvolvimento da linguagem e da fala. Esta situação acontece pelo facto de não existir um consenso entre os autores sobre quais os fatores que têm uma maior influência para o surgimento das perturbações da linguagem e da fala.

No entanto, foram realizadas várias revisões sistemáticas da literatura acerca dos fatores de risco para o desenvolvimento da linguagem, através das quais se apuraram os fatores etiológicos mais consistentemente referidos. De acordo com as revisões sistemáticas realizadas por Harrison e Mc Leod (2010) e Everitt Hannaford e Conti-Ramsden (2013) observou-se que fatores perinatais, género masculino, história familiar com antecedentes de perturbações da linguagem e /ou fala, nível educacional dos pais, doenças na infância como as alterações auditivas resultantes de infeções frequentes de ouvidos (otites), constituição do agregado familiar e tamanho da família, são aqueles que se encontram mais associados às perturbações da linguagem.
No que concerne ao desenvolvimento da fala, verifica-se que este pode ser influenciado por vários fatores, tais como, alterações da motricidade oro-facial (MOF), como por exemplo flacidez da musculatura facial, alterações nas praxias, posicionamento incorreto da língua, modificações estruturais da cavidade oral (ex: macroglossia), freio lingual alterado e oclusões e mordidas alteradas (Marchesan, 2009; Hitos, Araki, Solé & Weckx, 2013).
Outros fatores são descritos como aparentando ter uma maior associação e consistência para perturbações da fala. Na literatura encontrada, verificou-se que os fatores relacionados com a alimentação da criança, respiração oral e hábitos orais (sucção de chucha, biberão, dedos e onicofagia) são também os fatores que apresentam uma maior associação com as perturbações da fala pelo facto de provocarem alterações na motricidade oro-facial.

 

Sinais de Alerta Perturbações da Linguagem e/ou Fala

Sinais de Alerta

  • Não palra (entre os 4 e os 7 meses)
  • É um bebé silencioso, produz poucos sons (7 aos 12 meses)
  • Não diz ou diz poucas palavras (12 a 18 meses)
  • Não junta palavras para formar pequenas frases (18 a 24 meses)
  • Diz menos de 50 palavras (24 meses)
  • Evita brincar e/ou falar com crianças da mesma idade (24 a 36 meses)
  • Tem dificuldade em falar e/ou brincar com crianças da mesma idade (24 a 36 meses)
  • Não demonstra interesse por histórias, desenhos, livros (30 a 36 meses)
  • É difícil entender o discurso da criança mesmo para a família (36 a 5 anos)
  • Troca distorce e/ou omite sons (36 a 5 anos)
  • Tem um discurso diferente das crianças da mesma idade (36 a 5 anos)
  • Faz muitas pausas para pensar naquilo que quer dizer, por exemplo “ hmmmm, uhhh, “ “aquela coisa que faz assim…”, dá a volta para tentar chegar ao nome ,mas não o diz diretamente”
  • Tem dificuldade em recontar acontecimentos vividos ou descrever situações
  • Fala à “ sopinhas de massa” (sigmatismo)
  • Frustração para as tarefas de comunicação (por exemplo cruzar os braços e ficarem chateados quando tem de repetir de novo uma palavra)
  • Aumento dos erros da fala com o aumento do enunciado do discurso ou dificuldade com sílabas e formas de palavras mais longas ou mais complexas;
  • Uso predominante de formas simples de sílabas;
  • Alterações na prosódia e na ressonância (entoação da fala)
  • Repetições múltiplas de sons de fala (fonemas) ou sílabas das palavras: f-f-f-fiquei na escola ou fi-fi-fi-fiquei na escola
  • Prolongamentos de sons de fala: jjjjjjjjjoguei à bola
  • Evitamento, a criança apresenta um número invulgar de pausas, substituição de palavras, um uso elevado de interjeições (ah, uhm), palavras (tipo, bem) ou frases, evita falar;
  • A criança reconhece que há palavras que tem dificuldade em dizer, e pode exprimir medo quando tem que dizê-las
  • Observação de movimentos de procura do correto ponto para produzir os sons/palavras (por exemplo: diz uma palavra parecida ao que parece ser dá e observa-se que tenta procurar como colocar a língua para produzir a palavra)

 

Identificação Precoce

A identificação Precoce das Perturbações da Linguagem e Fala é fundamental para prevenir, diminuir ou eliminar o impacto causado na vida da criança e da sua família.
As crianças com perturbações da linguagem e ou fala podem deparar-se com diversas dificuldades no seu quotidiano, mais concretamente, na interação social devido a apresentarem dificuldades em comunicar com os outros, alterações no comportamento e dificuldades na aprendizagem escolar (Costa, 2011).

Segundo Amaral (2007, citado por Costa, 2011) as perturbações da linguagem e da fala podem ser a causa de problemas na aprendizagem, dado que o desenvolvimento da linguagem e da fala tem um papel fundamental na aquisição da leitura e da escrita.

Verificou-se em alguns estudos que aproximadamente 6% a 8% das crianças que apresentam dificuldades na linguagem e na fala no período pré-escolar, irão também apresentar perturbações/atrasos no primeiro ciclo (Boyle, Gillham & Smith, 1996; Tomblin, Smith & Zhang, 1997, citado por Law et al., 2004).

Segundo Nelson et al. (2006) essas dificuldades podem persistir até à idade adulta e trazem consequências não só para as crianças mas também para o meio/contexto onde a criança está inserida (Law, et al., 2004).

 

Identificação Precoce

A identificação Precoce das Perturbações da Linguagem e Fala é fundamental para prevenir, diminuir ou eliminar o impacto causado na vida da criança e da sua família.
As crianças com perturbações da linguagem e ou fala podem deparar-se com diversas dificuldades no seu quotidiano, mais concretamente, na interação social devido a apresentarem dificuldades em comunicar com os outros, alterações no comportamento e dificuldades na aprendizagem escolar (Costa, 2011).

Segundo Amaral (2007, citado por Costa, 2011) as perturbações da linguagem e da fala podem ser a causa de problemas na aprendizagem, dado que o desenvolvimento da linguagem e da fala tem um papel fundamental na aquisição da leitura e da escrita. Verificou-se em alguns estudos que aproximadamente 6% a 8% das crianças que apresentam dificuldades na linguagem e na fala no período pré-escolar, irão também apresentar perturbações/atrasos no primeiro ciclo (Boyle, Gillham & Smith, 1996; Tomblin, Smith & Zhang, 1997, citado por Law et al., 2004).

Segundo Nelson et al. (2006) essas dificuldades podem persistir até à idade adulta e trazem consequências não só para as crianças mas também para o meio/contexto onde a criança está inserida (Law, et al., 2004).

Se o seu filho/a apresenta alguns destes sinais de alerta de perturbações da linguagem e/ou fala não hesite em Contactar um Terapeuta da Fala.

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1 Comentário

  1. Filha de 24 meses. Percebe tudo. Comunica apenas com palavras, sem formação de frases. Apenas diz 15 palavras.