A parentalidade pode ser um desafio enorme, sobretudo nos dias de hoje, com todas as pressões do dia-a-dia. Os pais acabam por sentir-se culpados, perseguidos por pensamentos de que deveriam estar a desempenhar melhor o seu papel. Por vezes a culpa é da falta de tempo, do cansaço, ou simplesmente por não saberem por onde começar ou como melhorar.
Qual a diferença que faz a diferença para lidar com os comportamentos de forma mais assertiva e com menor stress?
Na parentalidade não existem fórmulas perfeitas nem estratégias infalíveis, visto que cada família tem as suas idiossincrasias e necessidades específicas. Um dos possíveis segredos está na comunicação, pois muitas vezes falam com as crianças de forma diferente e consigo mesmos também e acabam por conseguir autorregular-se com mais facilidade.
Autorregulação
A maior parte dos pais pensa que se os seus filhos se comportarem bem eles vão conseguir manter-se firmes e seguros da sua educação. Mas a verdade é que gerir as suas próprias emoções e comportamentos será aquilo que mais facilmente lhes permitirá serem pais mais tranquilos.
A parentalidade não é sobre o que a criança faz, mas sim como os pais reagem. Então, naqueles momentos em que os vossos filhos vos levam ao limite tentem refletir sobre o que está a acontecer e não se limitem apenas a reagir. Um adulto tranquilo e seguro torna-se uma influência muito mais poderosa do que um adulto que grita, porque está a mostrar à criança uma forma mais adaptativa e equilibrada de reagir que a criança irá modelar posteriormente.
A capacidade de manter a calma permite tratar todos à nossa volta de forma mais tranquila, respeitadora e responsável. Isto poderá resultar em crianças emocionalmente mais reguladas e respeitadoras. Para além disso, quando as crianças se sentem verdadeiramente ouvidas e compreendidas acabam por sentir-se mais seguras e mais facilmente aceitam a orientação dos pais.
Estratégias para uma Parentalidade Positiva
Todas as crianças precisam de atenção, conexão e uma pequena dose de limites. Vão sempre tentar extravasar esses limites de diversas formas com birras, lutas com os irmãos, recusa em ir para a cama na hora de dormir. Nestas situações é importante manter a consistência nos limites e distinguir castigo de disciplina, pois o castigo pode fazer com que a criança sinta vergonha, culpa, dor e isso até pode parar o comportamento mas apenas naquele momento.
Todavia parar o mau comportamento pelo medo só traz resultados a curto prazo e não promove a aprendizagem. Pelo contrário pode incentivar à mentira, pois a criança vai tentar fugir à punição. As crianças tendem a revoltar-se quando se sentem controladas ou forçadas a fazer algo. Por outro lado quando se permitem escolhas à criança e se estabelecem limites e consequências em vez de castigos permitimos que a criança vá desenvolvendo autodisciplina em vez de tentar que a criança seja apenas obediente.
Em vez de castigos podemos falar em consequências, mas apenas com crianças com mais de três anos. As consequências podem seguir a regra dos 5 R’s:
- As consequências têm de ser respeitadoras;
- As consequências têm estar relacionadas com o mau comportamento;
- Todas as consequências devem ser ajustadas à idade e necessidades da criança e por isso devem ser razoáveis;
- Devem ser reveladas à priori para que a criança possa escolher;
- A criança deve conseguir explicar as regras e consequências e devem fazer verbalmente um acordo.
Alternativas ao castigo
• Expressem o que estão a sentir;
• Falem sobre as vossas expetativas;
• Mostrem à criança o que fazer;
• Apresentem às crianças alternativas ao seu comportamento;
• Encontrem métodos de resolução conjunta de problemas;

