A investigação tem demonstrado que as perturbações alimentares na infância são muito comuns, e frequentemente são sintomas de outras alterações do desenvolvimento.
A investigação também tem evoluído no que respeita à definição das perturbações alimentares, de acordo com um artigo de revisão do ano passado, estas surgem quando há uma ingestão alimentar alterada em relação à idade da criança que está associada a problemas médicos, nutricionais, psicossociais e nas competências para a alimentação (Goday, et al, 2019).
Esta classificação, em conjunto com a evolução da investigação nesta área, indica a natureza multifatorial das perturbações alimentares, o que faz com que se identifique a alimentação como um processo complexo, que carece de uma visão integrada de diferentes disciplinas.
As famílias com crianças com perturbações alimentares podem observar que as birras à mesa são uma constante, bem como os desafios com uma criança com dificuldades alimentares.
Sinais frequentes de dificuldade alimentar:
- Refeição é um momento desafiante;
- Criança afasta-se da comida ou recusa-se a comer;
- Criança evita determinados alimentos;
- Criança evita tocar nos alimentos;
- Choro e gritos à mesa;
- Náusea frequente;
- Perda de peso;
- Vómitos frequentes;
- …
É neste contexto que o Happy Child recomenda que fique em casa e… observe o momento da refeição na sua família.
- Como é o ambiente familiar durante a refeição?
- Que alimentos fazem parte de rotina familiar?
- Que alimentos a criança quer comer?
- Que alimentos recusa?
- Que alimentos comia e deixou de comer?
- Que estratégias tem utilizado para manter a criança à mesa ou fazê-la comer?
- Que relação existe entre a comida e o contexto familiar?
- Qual a rotina de refeição familiar?
- Quantos snacks são introduzidos entre as refeições?
- Em que momentos a criança come menos?
Muitas vezes somos induzidos a pensar que a criança não come para nos desafiar, ou porque não quer… “Se forem doces ou batatas fritas ela come”… A motivação é um fator chave para comer. No entanto, no caso dos doces advém da dependência que os açucares promovem através de respostas cerebrais de reforço e os alimentos processados como as batatas fritas, não requerem competências de mastigação refinadas, podem simplesmente desfazer-se na boca, pelo que são fáceis de comer.
Então será que ele não quer comer ou não consegue comer?
Comer é mais do que sentar-se à mesa e engolir, envolve muitas das estruturas corporais e sistemas do corpo humano (a visão, o tato, o paladar, o olfato, competências motoras e de controlo postural, de discriminação do alimento na boca, de respiração, de fisiologia e motivação).
Hoje vamos escolher um alimento e refletir sobre o que preciso fazer para de facto mastigar e engolir este alimento.
Que competências são necessárias para o fazer e que sensação tenho ao lidar com este alimento. Quero voltar a comer este alimento?
E para os mais pequenos um incentivo a uma alimentação saudável e equilibrada!
Artigo Científico:
Pediatric_Feeding_Disorder__Consensus_Definition.24

