Os comportamentos de birra caracterizam-se pela dificuldade da criança em aceitar mudanças, regras, instruções no dia-a-dia. No entanto, é muito importante perceber se a birra é sensorial ou comportamental.
Hoje a equipa de Terapia Ocupacional da Happy Child vai viabilizar 10 dicas de como diferenciar e lidar com birras sensoriais e comportamentais. A maior diferença entre os dois tipos é que a birra comportamental tem um propósito (conseguir algo), enquanto birras sensoriais ocorrem como reação a algo do ambiente e, geralmente, estão fora do controlo da criança.
Birra Comportamental (para obter algo):
- A birra comportamental é uma resposta explosiva/exagerada (choro, gritos) que ocorre quando a criança está a tentar conseguir algo que quer e/ou precisa (p.e.: brinquedos, doces). A criança, geralmente, pára a birra comportamental quando consegue o que quer ou quando são usadas algumas das estratégias descritas a seguir.
- Ignorar e desviar a atenção: como a criança, geralmente, tem controlo sobre a birra comportamental, esta tende a parar no meio da birra para se certificar de que tem a atenção dos pais. O comportamento tende a parar quando a criança percebe que não tem a atenção dos pais e que não irá conseguir o que quer através da birra. Assim, deve-se utilizar a estratégia de ignorar (não dar atenção, desviar o olhar, virar o corpo para o lado oposto) e desviar a atenção para outro assunto ou tarefa até que a birra acabe. Quando a birra termina, incentivar a criança a pedir o que quer, fornecendo modelos de comportamentos adequados (ex.: se quiseres um brinquedo podes expressar através das palavras).
3. Planos e acordos: as crianças tendem a apresentar comportamentos de birra em situações específicas e, uma vez que os pais notem o padrão, podem estabelecer, antecipadamente, um plano para lidar com a situação, no qual a criança precisa exibir um comportamento específico (p.e. terminar tarefas escolares, ir ao supermercado sem pedir itens fora da lista de compras, etc.) para poderem receber uma recompensa (brinquedos, atividade, etc.). - Note-se que é necessário ser consistente e preciso nos acordos, ou seja, deve-se estabelecer regras que a criança consiga cumprir e ela nunca pode ter acesso à recompensa se não cumprir o acordo.
4. Reações neutras: Quando a criança apresentar comportamentos de birra, deve-se manter a calma, positividade e controlo emocional. Não se deve reagir negativamente, nem dar atenção. Deve-se aplicar-se a estratégia de ignorar, imediatamente.
5. Reforço positivo: Sempre que a criança apresentar um comportamento adequado ou esperado (p.e. pediu algo usando apenas as palavras, aceitou que não poderia comer um doce naquele momento, terminou as tarefas escolares), deve-se dar reforço positivo, como palmas, elogios, atividade ou objeto preferencial. Note-se que é preciso ser específico sobre qual comportamento está a ser reforçado (“eu sei que querias comer um doce, parabéns por teres conseguido esperar”, “eu sei que estavas cansado, parabéns por teres terminado as tarefas mesmo assim”).
Birra Sensorial (desregulação):
A birra sensorial ocorre como uma reação quando a criança se sente sobrecarregada com os estímulos sensoriais do ambiente (determinados sons, luzes, texturas, sabores, etc.), ou seja, é um resultado da tentativa da criança de gerir muitos estímulos ao mesmo tempo. As birras sensoriais podem terminar de duas formas: a criança entra em estado de fadiga (os comportamentos de choro, gritos, entre outros, levam a criança à exaustão) ou podem ser usadas algumas das estratégias descritas abaixo:
- Avaliar o risco, com calma e segurança: Quando a criança está a gritar ou a atirar objetos, pode parecer uma emergência, mas os pais devem perguntar-se “alguém está magoado ou em risco de ser magoado?”. De qualquer forma, deve-se manter um tom de voz e linguagem corporal calmos. A criança deve sentir que os pais estão lá para ajudar e que percebem que isto está fora do controlo da criança. Deve-se verificar de forma cuidadosa se a criança, naquele momento, precisa de proximidade ou distância física.
- Dar-lhe espaço: se estiver em público, tente ajudar a criança a ir para um lugar mais calmo. Se estiver em casa, tente levar para um sítio que seja calmo. Se não for possível mover a criança, peça a outras pessoas ao redor que lhe dêem espaço, pois aglomerações podem deixá-la ainda mais sobrecarregada.
- Diminuir estímulos: desligue as luzes, deixe o ambiente silencioso, evite aglomerações perto da criança. Também é essencial que fale menos com a criança durante este período, ou seja, evite demasiadas perguntas ou explicações naquele momento, pois isto somente a deixará mais sobrecarregada. O objetivo é que a criança se sinta menos sobrecarregada e assim estará a diminuir a quantidade de informações que terá de lidar.
- Pensar num plano pós-birra: é importante pensar em como envolver a criança noutras atividades, sem causar outra birra sensorial. Às vezes será necessário abandonar as compras no supermercado, se a birra foi causada por estímulos daquele ambiente (número de pessoas, ruídos, tempo de espera, cansaço). Se a birra foi causada por uma conversa, talvez seja necessário voltar ao tópico noutro momento.
- Conversas pós-birra: É importante ajudar criança a perceber o que aconteceu, mas logo após a birra pode não ser o melhor momento. Quando tanto os pais quanto a criança já tiverem tido tempo de recuperar, poderá seguir estas estratégias: convidar para uma conversa sobre o que aconteceu, mantendo um tom que transmita calma e segurança; ser breve, pois conversar sobre isso pode fazer as crianças se sentirem defensivas, então deve-se evitar repetições; assegurar-se de que a criança percebeu a conversa ao pedir que repita o que foi dito e responder às possíveis dúvidas que ela tenha.
Lidar com birras de ambos os tipos é algo que exige prática! O mais importante é aprender a reconhecer os sinais que diferenciam uma birra da outra e lembrar de usar as estratégias mais adequadas para cada uma.
Para evitar as birras, também é importante lembrar de algumas dicas de regulação que já foram apresentadas pela equipa Happy Child, principalmente as que podem ser realizadas em casa.
Somos especializados no desenvolvimento infantil e no processamento sensorial, se tiver alguma dúvida pode sempre contactar-nos por email ou telefone e esclarecemos as suas dúvidas.
Desejamos a todos uma quarentena protegida e saudável!
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